Servidores cobram reajuste
Categoria exige 35% de aumento. GDF oferece 21%, em três parcelas
Protesto em frente à sede da Procuradoria-Geral do DF: funcionários querem recuperar perdas salariais
Os 244 servidores da carreira de apoio jurídico da Procuradoria Geral do Distrito Federal (PGDF) ameaçam entrar em greve caso as negociações com o GDF pelo aumento salarial continuem estagnadas. Como forma de pressionar o governo a sentar na mesa de debates, um grupo de funcionários protestou, ontem, em frente à entrada do órgão. Vestidos com nariz de palhaço e, com a ajuda de apitos, não pouparam os ouvidos de quem passou pelo local.
A presidente da Associação dos Servidores da PGDF, Edilse Barbosa dos Santos, explica que o reajuste salarial de 21% dividido em três parcelas, oferecido pelo GDF no ano passado, está aquém das necessidades da categoria. "Queremos
reparar, imediatamente, as perdas desde 2004, que chegam a, pelo menos, 35%", declarou Edilse.
Ibrahim Yusef, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas do Distrito Federal (Sindireta), também marcou presença no protesto dos servidores da PGDF
em apoio à categoria. "Além do aumento salarial, a ideia é negociar a incorporação das gratificações ao venciemento, medida popularmente chamada de ’vencimentão’. Esperamos uma resposta imediata, já que, pela lei, o prazo para reajustes é até abril", comenta Ibrahim.
"Nos reunimos com o procurador geral, Marcelo Lavocat Galvão, e ele pediu para encaminharmos o estudo com os impactos orçamentários das reivindicações",
complementa o presidente do Sindireta. Entre as reivindicações da categoria está, ainda, a equiparação com os analistas e técnicos do Ministério Público da União (MPU).
PROCURADORES
Além dos servidores da PGDF, os procuradores também estão em processo de negociação de aumento salarial junto à Secretaria de Planejamento. A reivindicação dos procuradores é por um reajuste de 30%. "Quero deixar claro que nosso movimento não é contra o reajuste dos procuradores. O que desejamos é a valorização da nossa carreira", afirma Edilse Barbosa. "Para ter uma noção
do quanto ficamos defasados basta observar que, em 2005, o edital do concurso para a PGDF oferecia R$ 200 a mais de remuneração para o cargo de analista em comparação ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). No ano passado, um novo edital de concurso para o STJ ofereceu uma remuneração que é quase o dobro do
que a PGDF recebe hoje", desabafou um servidor da PGDF, que pediu para não ser identificado.
Os servidores da carreira de apoio jurídico e o Procurador-Geral do DF se
reunirão em nova assembleia, hoje, às 13h30, na sede da PGDF, para deliberar sobre as formas de negociação a serem adotadas com o GDF.
O reajuste concedido pelo GDF aos servidores da administração direta foi de
6,5%, no ano passado e mais 7% previstos para serem dados em 2010 e 2011. De
acordo com informações da Secretaria de Planejamento (Seplag), a medida causou um impacto de R$ 17 milhões no orçamento de 2009 e mais R$ 106 milhões em 2010.
Fonte: Jornal de Brasília - publicado em: 11/03/2010